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A década de 80

por leonardo maturana, patrícia ruzene, renata assumpção e thomaz torina

Os anos 80 e o reflexo no país

A década de 80 foi marcada pela transição do regime ditatorial à democracia e a ânsia do povo brasileiro por este que seria o momento de livrar-se das garras do regime, era intensa. Lentamente o caminho rumo à queda dos governos militares foi traçado: em 1978 ele começava a se concretizar com o fim do Ato Inconstitucional n°5 e em 1979 a lei de Anistia, decretada por João Figueiredo, permitia a volta de todos os presos exilados pela Ditadura Militar.
Porém, os avanços políticos não escondiam a realidade social e econômica brasileira e o povo mergulhava numa profunda piora na qualidade de vida. Com a mudança da crítica cultural, que não mais tinha como alvo o regime, o foco passou a ser então justamente os problemas herdados da década de 70 e do regime como um todo: a inflação altíssima; a população que migrava do campo com mais intensidade atraída pela maior oferta de emprego nas cidades; o crescimento da demanda pelos serviços públicos, por novas habitações, saúde, educação e saneamento. Um caos se instalava nos centros urbanos e refletiam um inicio democrático contraditório.
A desigualdade social e a miséria começaram a ser exploradas pela literatura brasileira através do conto. Foram, na verdade, os anos 70 que representaram para o conto brasileiro o auge de sua história em um período marcado pela censura e pelo regime militar, mas alguns autores como Rubem Fonseca continuaram a retratar nos anos 80 aquilo que precisava e que de alguma maneira tentou ser dito pelos críticos do período anterior. Com todo o seu histórico político, econômico e social nada nostálgico, a década de 70 foi o berço para grandes autores expressarem toda a perturbação que estava diante dos seus olhos e do povo brasileiro. Era preciso levar até o público, de alguma maneira, a atmosfera de indignação que pairava sob a sociedade naquele momento e que, definitivamente, precisava ser superada.
Com todos esses elementos à disposição, além de Rubem Fonseca contistas como Clarice Lispector, Otto Lara Resende, entre outros, encontraram o pano de fundo ideal para trazer à tona o outro lado da realidade social - violenta, obscura, sangrenta – contrastante com aquela da parcela de classe média que vivia mergulhada no consumo. Exatamente como afirmou Ítalo Moriconi, “o contista brasileiro da década de 70 quer desafinar o coro dos contentes”.
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A década de 80 - linha do tempo



Link: http://www.timetoast.com/timelines/20221
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Rubem Fonseca – O Cobrador

A ditadura militar havia chegado ao fim e foi como se uma cortina se abrisse diante dos olhos dos que vivenciavam os acontecimentos da década de 80 e a partir de então fosse possível enxergar a realidade de desigualdade social, de alto índice de violência e de uma profunda crise econômica. É nesse, e sobre esse cenário que as obras do escritor Rubem Fonseca vão se desenvolver. Suas narrativas não visam promover um debate cultural da época, mas narrar o que estava sendo vivido.
Como uma crônica desse cenário Rubem Fonseca escreve o livro de contos O Cobrador, que através de narrativas curtas, porém intrigantes, abordam as temáticas em voga da época e retratam a situação latente à sociedade. A degradação social está presente em quase todos os contos, mas nos deparamos também com o abandono, a humilhação e a crítica às instituições em geral, como no conto Onze de Maio.
Através das descrições de um dos velhinhos do asilo Onze de Maio conhecemos a rotina pela qual ele e outros idosos são submetidos, que inclui, principalmente, a tentativa de aliená-los do mundo exterior. Os maus tratos são práticas constantes desde a alimentação, que é completamente básica, pão, café e sopa rala, até a falta de liberdade de transitarem pelo lugar para terem contato com outros idosos. A palavra de ordem é assistir televisão e ficar o máximo de tempo possível dentro de seus quartos, que de tão pequenos e sem conforto são descritos como celas pelo narrador.
Qualquer enfermidade é motivo para medicação, sendo ela qual for, mas que não vise necessariamente à cura, e sim a minimização do trabalho para os coordenadores do lugar. Mas parece que apenas o narrador desse conto consegue perceber essa situação de exclusão e humilhação em que ele e os outros idosos vivem, assim torna-se sua missão mostrar a realidade para seus companheiros. O que culmina no episódio final de violência dos idosos contra os que o oprimiam. O conto pode ser visto como uma metáfora do conformismo que Roberto Schwarz percebe nos anos 80 em Nacional por subtração.
O intitulado Mandrake recebeu destaque e se tornou mais conhecido por ter sido adaptado para a televisão. Em seu enredo, notamos a presença do modelo de literatura norte-americano: um crime ocorre (“uma jovem havia aparecido morta na Barra, dentro do próprio carro”) e o investigador (Mandrake), que também é o narrador dessa história, se envolve no caso. Quem o procura para desvendar quem foi o autor do crime são personagens da classe alta da sociedade, que mostram o contraste com os possíveis suspeitos sempre de uma classe mais baixa.
O vício será presença constante no decorrer do conto, tanto no freqüente consumo do vinho português do investigador quanto no consumo de drogas de outros dois personagens da trama. A traição é outro assunto retratado por Rubem Fonseca, em que a base da “confusão” que levou ao crime foi justamente a traição. Nesse caso ainda mais chocante por mostrar o envolvimento de uma sobrinha com seu tio (Cavalcante Méier), esposo de uma mulher doente e pai de Eva, que sabia de seu relacionamento com sua prima e consentia com essa situação.
Os envolvimentos sexuais polêmicos também são tratados no conto Pierrô da Caverna, que aborda a pedofilia e o abuso sexual. Porém a naturalidade com que esses temas aparecem no conto surpreende o leitor. Diante desses exemplos, percebemos que se relacionamentos fora dos padrões chocavam a sociedade e os próprios personagens na literatura de Nelson Rodrigues, com Rubem Fonseca, nos anos 80, há uma naturalidade nessas ações. Não há choque da sociedade retratada na ficção, tampouco dos personagens envolvidos na trama, no máximo o choque de um leitor mais conservador. Mesmo esse, caso se indignasse, acabaria recorrendo a valores morais que eram uma das bandeiras da ditadura, tão desgastada na época.

Patrícia Ruzene
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O Cobrador



*Adaptação do texto de Rubem Fonseca
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O Homem do Ano



* Adaptação do texto de Rubem Fonseca
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Mandrake



* Adaptção do texto de Rubem Fonseca
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Nacional por subtração

Em seu artigo Nacional por subtração, escrito em 1986, Roberto Schwarz discorre sobre a dinâmica da cultura nacional. Historicamente, Schwarz percebe que o Brasil e a América Latina em geral carecem de um influxo próprio, importando as tendências culturais conforme o prestígio do país imitado.
Schwarz não aponta a cópia em si como um problema, mas a troca ideológica sem o desgaste da doutrina anterior, que deixa a cultura do país sem métodos ou concepções e não desenvolve uma produção amadurecida.
Essa cópia não passa despercebida, pelo contrário, a percepção disso causa um mal-estar que, segundo o autor, é recorrente nos latino-americanos. Contudo, as críticas a essa tendência são simplistas: acreditam que eliminando aquilo que é alheio ao Brasil, obtém-se a pura essência da cultura nacional, daí o título do artigo ser Nacional por subtração. O governo ditatorial colocava o marxismo como alienígena e considerava que a democracia não poderia ser bem aplicada em nossa sociedade. Já a esquerda, tentava extirpar o imperialismo norte-americano, ignorando a impossibilidade de uma cultura hermeticamente isolada em um mundo cada vez mais interdependente.
Existiu, na década de 20, uma corrente que assumiu beber de fontes culturais não nacionais, mas que fazia isso de forma “regeneradora e irreverente”: era a Antropofagia, iniciada por Oswald de Andrade. Embora ingênua e utópica, Schwarz a considera uma visão legítima e revolucionária da cultura brasileira.
Na década de 80, quando Schwarz escreve Nacional por subtração, ele observa um resgate da Antropofagia. Contudo, após a luta armada pela democracia e o exílio de muitos brasileiros, o conceito de ‘revolucionário’ muda. Agora, defender o jeitinho brasileiro de incorporar a cultura estrangeira será visto pelo autor como uma postura acrítica de lidar com a cultura. Mais tarde, Schwarz observaria outros fatores para essa postura na década de 80. Em Nunca fomos tão engajados (1994), o intelectual aponta a perda do interesse europeu pelas lutas armadas na América Latina. Enquanto a Europa via com ar romântico as lutas de independência no nosso continente, as doutrinas copiadas por aqui alimentariam o pensamento crítico, pelo menos o de esquerda. Com o fim das ditaduras militares (e com o declínio da União Soviética), o discurso perdeu força e interesse. “[...] a baixa internacional do prestígio acadêmico do marxismo, que fez com que muita gente boa trocasse de teoria sem ter dado o combate de idéias, afetou bastante o nosso pensamento crítico”, lamenta Schwarz em entrevista cedida à Fernando Haddad e Maria Rita Kehl em 1995.
Schwarz também aponta o erro histórico das teorias de subtração do externo focarem-se nas relações entre elites nacionais e elites do primeiro mundo. A criação de uma cultura legítima nacional, com ou sem influências externas, dependeria de uma melhor relação entre as elites nacionais e a população pobre do país, que permanece excluída de qualquer produção cultural, importada ou caseira. Não bastaria reformar as classes dominantes, seria preciso reformar o regime democrático.
Durante as décadas de 50, 60 e início de 70, a elite burguesa pareceu trair-se, com seus intelectuais construindo uma cultura popular junto das classes pobres. Porém, o governo militar rompe com essa “mistura perigosa” através da censura e do exílio. Quando esses intelectuais voltam do exílio (a maioria na Europa), eles estão, segundo Schwarz, mais eruditos e mais longe do povo, que manteve sua luta sem interferências da intelectualidade burguesa (um exemplo dessas lutas 100% populares são as greves do ABC).
Nos anos 80, a cultura da elite e a cultura popular parecem estar menos conectadas que antes, aumentando o estranhamento citado por Schwarz. Nacional por subtração mostra que o saldo de vinte anos de ditadura não foi só o abismo social e o rombo na economia, a conta paga pela cultura nacional também foi alta.
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Marco histórico

O artigo “Marco histórico”, de Roberto Schwarz, publicado no Folhetim em 1985 é uma crítica a uma poesia, publicada no mesmo veículo e no mesmo ano, chamada “Póstudo” de Augusto de Campos.
Para Schwarz, existem duas questões centrais que não são explicitadas no poema e acabam por torná-lo banal: o fato de não se saber quem é seu sujeito e a não definição do que é o “tudo”. O autor afirma que se podem pressupor cinco sujeitos: o próprio poeta, e o poema assumiria ares de uma autobiografia intelectual e a frase “mudei tudo” se tornaria esdrúxula; o movimento concretista, e o poema seria então uma autopropaganda; o movimento da arte moderna internacional, e as afirmações seriam um resumo e balanço revelando (com o “mudo” final) o fracasso do movimento cultural das vanguardas dos século XX; ou então o revolucionário ao constatar que finda a revolução, o mundo continua a rodar e novas histórias são iniciadas; e, por último, se não tivesse título e assinatura, o poema poderia ser imaginado ao ar livre em um país socialista e lembraria às pessoas as transformações que ocorreram, a coletividade e a continuação da vida. Mas Schwarz afirma que não se pode decidir qual é o sujeito, pois o poema não oferece “elementos que autorizem a optar” (p.62). Quanto à segunda questão, diz o autor, ao afirmar que o alvo da transformação é o “tudo”, acabamos por não saber nada a seu respeito: o que mudou? O que mudará? Segundo Schwarz, para que o poema tivesse uma força maior, esses dois pontos teriam que ser esclarecidos. Ao final, o autor afirma que o poema é bonito, mas banal.
Roberto Schwarz mandou uma carta com o artigo para Haroldo de Campos pedindo que ele mostrasse para Augusto de Campos; mas, antes de receber a reposta, o texto foi publicado e, por essa razão, o poeta replicou-o via Folhetim. Fora declarada a batalha.
Campos utiliza-se da mesma estratégia de argumentação que Schwarz usou. O crítico procura diminuir Campos enquanto poeta dizendo que a poesia dele é ruim; o poeta irá diminuir o artigo de Schwarz - crítico expoente no Brasil - dizendo que sua crítica é fundamentada em preconceitos, que ele nutria com relação à poesia concreta como um todo, já demonstrados anteriormente.
O poeta toma o discurso de Fernando Pessoa sobre o teor sociológico na poesia para justificar-se ante as críticas de Schwarz sobre sua aparente falta de comprometimento com uma arte engajada, social. “O artista não tem que se importar com o fim social da arte” (Fernando Pessoa in “Dialética da maledicência” de Augusto de Campos). Além disso, cita a fábula da Formiga e da Cigarra de La Fontaine. Pode-se inferir que o poeta deseja fazer alusão aos sociólogos enquanto formigas trabalhadoras e às cigarras poetas que só pensam em cantar.
Para finalizar, o poeta cita o livro “Tolicionários” de Flaubert que mostra os grandes nomes da poesia mundial como Shakespeare, Byron e Victor Hugo que foram também criticados. Ele se vale dessa situação prévia para mostrar ser recorrente na história da humanidade os poetas serem execrados pela crítica contemporânea e sacralizados a posteriori.
Vimo-nos as vezes com celeumas no campo cultural. Poderíamos citar, por exemplo, no território brasileiro, a briga parnasiana entre Manuel Bandeira e Olavo Bilac que rendeu o clássico poema “Os Sapos”.
Situações como essa são interessantes e, de certa forma, produtivas, pois fomentam a discussão acerca da arte nacional e despertam um maior interesse na leitura, ainda que isso fique, em última instância, restrito à comunidade acadêmica.
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Coletânea de Textos

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*Coletânea de matérias publicada nos jornais sobre a polêmica entre Agusto de Campos e Roberto Schwarz.
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